Que pena paga um condenado pelos sentimentos. Nestas horas mortas que a noite cria, entre um e outro verso, que sob a pálida luz de uma vela eu escrevia, me chegavam antigas lembranças de um dilema. Quanto amargo é o silêncio que aqui faz sem você. Só produz lembranças! No espaço onde eu habitava não me encontro mais.
No mesmo lugar está um velho par de sapatos que você deixou e tudo isso pergunta por você. Mas você não está. E não sei onde você está. Os dias são tão iguais, o vento toca a janela, não sei se sou tão capaz de conviver com essa sua indecisão. Essa noite vou dançar sem você, tive que aceitar esse fim. Mas me perco em você. E eu ainda estou aqui juntando o resto de mim. Posso até parecer normal, mas a tempestade que ainda vive aqui dentro começou desde o dia em que você se foi, deixando a porta do meu coração aberta para o frio entrar. E esse inverno parece nunca acabar, frieza cresce aqui dentro. Sinto não sentir-me mais, a cada minuto que passa tento pensar em nós dois, mas sempre lembro de você. Só de você. Do teu olhar, teu sorriso, teu corpo, teu abraço, teu cheiro. Lembro e sinto medo. Medo de me perder em você, porque você sempre volta com aquele seu jeito e me ganha, me fazendo me perder de mim. Me trás de volta, tá na hora de você se decidir se vai ou quer ficar, se for ficar me devolva para mim, sinto falta de como eu era antes de te conhecer e juntar-me agora com o que me tornei depois de não mais te ter, mas se você for leva-me contigo. Preciso te provar o quanto pode ser absurda a vontade de querer e não poder. De procurar e não achar, a dor de amar e não ser amado. Tamanha é minha vontade de te fazer sofrer. Toda vez que você volta eu me perco um pouco mais, porque estou cansada de juntar os pedaços de mim que ainda faltam. É que sou feito do mesmo tecido que são feitos os sonhos. Tão pouco tenho vida, tão pouco já não existo. Mas o que ainda há são vestígios de mim. Entre a poeira e o mofo, o silêncio e a solidão, pedaços de mim pelo chão.
Texto: Larissa Tamires
No mesmo lugar está um velho par de sapatos que você deixou e tudo isso pergunta por você. Mas você não está. E não sei onde você está. Os dias são tão iguais, o vento toca a janela, não sei se sou tão capaz de conviver com essa sua indecisão. Essa noite vou dançar sem você, tive que aceitar esse fim. Mas me perco em você. E eu ainda estou aqui juntando o resto de mim. Posso até parecer normal, mas a tempestade que ainda vive aqui dentro começou desde o dia em que você se foi, deixando a porta do meu coração aberta para o frio entrar. E esse inverno parece nunca acabar, frieza cresce aqui dentro. Sinto não sentir-me mais, a cada minuto que passa tento pensar em nós dois, mas sempre lembro de você. Só de você. Do teu olhar, teu sorriso, teu corpo, teu abraço, teu cheiro. Lembro e sinto medo. Medo de me perder em você, porque você sempre volta com aquele seu jeito e me ganha, me fazendo me perder de mim. Me trás de volta, tá na hora de você se decidir se vai ou quer ficar, se for ficar me devolva para mim, sinto falta de como eu era antes de te conhecer e juntar-me agora com o que me tornei depois de não mais te ter, mas se você for leva-me contigo. Preciso te provar o quanto pode ser absurda a vontade de querer e não poder. De procurar e não achar, a dor de amar e não ser amado. Tamanha é minha vontade de te fazer sofrer. Toda vez que você volta eu me perco um pouco mais, porque estou cansada de juntar os pedaços de mim que ainda faltam. É que sou feito do mesmo tecido que são feitos os sonhos. Tão pouco tenho vida, tão pouco já não existo. Mas o que ainda há são vestígios de mim. Entre a poeira e o mofo, o silêncio e a solidão, pedaços de mim pelo chão.
Texto: Larissa Tamires




